Boletim Eletrônico nº 32 - ANO VI
São José dos Campos, 19 de Outubro de 2012.                                                                                ISSN nº 2176-7238

 COMEÇO, MEIO E FIM

                                                                   

As coisas na vida costumam ter começo, meio e fim. E é bom que seja assim. Se o começo da crise produz sofrimento, é bom saber que a crise vai ter fim. Se o começo da euforia é um período de intenso gozo, também é bom saber que a vida não é sempre um mar de rosas, que as crises são normais e por isso as vicissitudes fazem parte da jornada do homem. Assim, ninguém deve ficar o tempo todo se refastelando na hora do gozo nem pode abandonar-se inteiramente em autocomiseração na hora do sofrimento. Falsa é a impressão de que o sofrimento não tem fim, como também é falsa a ilusão de que a alegria nunca vai acabar.


Quando tenho metas diante de mim ou tarefas para cumprir, eu costumo "fatiar" o tempo. Se há um período de dias, normalmente divido o tempo em duas partes, dessa forma, depois de cumprir a primeira metade do período, fico com a certeza de que estou mais perto do fim.

Passei por uma cirurgia no último dia 10, para retirada de um tumor maligno. Não dá para dizer que foi coisa simples, mas a cirurgia já passou. Agora, neste período pós cirurgia, enfrentei a primeira crise no 4º dia, o dia da alta hospitalar, quando o intestino funcionou “pegando no tranco" como carro velho. Ufa, que alívio! Depois, passei a contar o período para a retirada da sonda da bexiga. Nossa, como passou rápido o tempo. Só restam dois dias, pois nesta 6ª feira a sonda será retirada. Esta semana, o meu domingo de ressurreição será na 6ª feira mesmo. Depois, outras fases virão, com começo, meio e fim.


Nestes dias, esperava ter lido mais. Gosto de ler e tenho leitura atrasada, mas confesso que andei meio preguiçoso. Briguei com a minha preguiça e comecei a leitura do dia com uma reflexão sobre o texto de Lucas 4:16-20. Ali, suponho ter sido a primeira manifestação pública de Jesus, na sinagoga, em sua cidade - Nazaré, com afirmação própria de sua divindade. Vale a pena ler o texto e imaginar o quadro fático desse embate de olhares desconfiados na sinagoga. Isaías profetizara setecentos anos antes - "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor ungiu-me para levar boas notícias aos pobres, cuidar dos que estão com o coração quebrantado, anunciar liberdade aos cativos e libertação das trevas aos prisioneiros, para proclamar o ano da bondade do Senhor" (Isaías 61:1-2). Pois bem, Jesus entrou na sinagoga e, como era de costume, após levantar-se, recebeu o livro do profeta Isaías das mãos do assistente e leu a profecia. Após a leitura, fechou o livro, devolveu-o ao assistente, assentou-se e proclamou solenemente - "Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir". Imagino o silêncio e a perplexidade dos presentes. O menino de Nazaré acabara de proclamar ser ele o Ungido do Senhor. Essa afirmação de Jesus abalou os alicerces do templo e causou grande impacto nos ouvintes. Quase ninguém acreditou no que Jesus disse e o relato de Lucas mostra que os judeus ficaram furiosos com o que ouviram, por isso expulsaram Jesus da sinagoga e da cidade. De fato, o começo do ministério de Jesus em Nazaré não foi fácil. A rejeição foi tão grande que arrancou de Jesus a afirmação de que nenhum profeta é reconhecido em sua própria terra. Felizmente, Jesus não desistiu. Ele foi até o fim e consumou a obra de Deus. Felizmente, para nós, pobres pecadores, as boas novas de Jesus acerca da salvação não foram contidas na sinagoga de Nazaré. Apesar da resistência dos judeus, o evangelho da salvação em Jesus espalhou esperança para todos os cantos da terra e chegou até nós. O início foi difícil; o fim, também, mas a obra de Jesus está consumada na história. Em três anos de ministério, Jesus construiu uma ponte gigantesca que oferece salvação e solução para transpor o grande abismo que se apresenta diante de nossas vidas. O abismo que separava o homem pecador do Deus santo restou superado pela Cruz do Calvário. Na sinagoga de Nazaré não conseguiram enxergar a "ponte"; ainda hoje, muitos andam à deriva, pois não conseguiram enxergar a ponte construída por Jesus para estabelecer ligação direta entre Deus e os pecadores arrependidos.


Depois que você descobre que tem câncer, a vida parece estar mais perto do fim. Mas se você já se agarrou a essa ponte construída por Jesus, a vida perde esse sentido fatalista. A vida sempre tem um fim, e esse fim não é a morte. Afinal, ó morte, onde está o teu aguilhão depois que foste vencida na ressurreição de Cristo? O fim da vida não depende mais de como foi o começo ou o meio, não depende de quanto você ganhou ou perdeu, porque o que importa mesmo é como você vai terminar a sua vida. Eu creio firmemente que depois que você ingressar na ponte não pode mais cair dela, pois quem te segura é o dono da ponte. Isso é o que dá segurança para o cristão e pode dar sentido para uma vida bem vivida. Eu creio que nesta 6ª feira, com a retirada da sonda, estaremos cumprindo mais uma etapa do processo de restauração do meu organismo. Outras etapas virão, com começo, meio e fim, com a certeza de que Jesus estará comigo, meu piloto até o fim. Eu estarei na ponte, sem medo de cair. Não há motivos para desconfiar do amor de Deus. Ele sempre cuidou de mim, mesmo quando eu não queria nada com Ele. Tenho a convicção de que Deus me dará mais anos de vida do que os três anos do ministério de Jesus. Quantos anos? Só Deus sabe; sou grato a Ele pelos sessenta e um bem vividos. Eu quero é ter discernimento espiritual para amar mais, servir mais e andar mais perto de Deus e do meu próximo. Acredito que Deus me trouxe para São José dos Campos para cumprir os seus propósitos. Acredito que aqui ainda não estou perto do fim. E se a seara é grande e poucos são os obreiros, quero participar ativamente e cada vez mais, em minha geração, da maravilhosa obra construída na Cruz do Calvário, que oferece salvação e dá vida eterna a todo aquele que crê em Jesus. Quero estar atento e sensível para participar da obra de Deus nesta cidade e na vida de pessoas. Por isso dá para dizer que ainda há muito por fazer nesta vida.


AMILTON ALVARES

SJC, 18/10/2012




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