Boletim Eletrônico nº 11
São José dos Campos, 02 de Julho de 2008.

QUAL É O PREÇO?

                                                                           Amilton Alvares

                                                                           Oficial Delegado

 

                            Ele – Jesus – pagou alto  preço  por  você e  por  mim.  Não fomos comprados com ouro, prata ou coisas perecíveis, sim, pelo sangue precioso do cordeiro sem mácula, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E neste mundo cruel, muita gente pagou com a própria vida para que a Bíblia e a mensagem da salvação chegasse aos cantos escondidos do planeta. Isso só faz aumentar a nossa responsabilidade quando vivemos numa pátria que prestigia a liberdade religiosa, mesmo porque, aqui, ninguém é preso por andar com uma Bíblia debaixo do braço. Aproveite então a sua liberdade de buscar informação na Bíblia. Não esqueça de orar por nações em que há perseguição religiosa. Lembre-se que quase tudo na vida tem um preço. O amor de Deus é de graça – afinal, Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito para que toda aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna João 3:16. Mas seguir a Jesus pode representar alguma renúncia ou perda. Veja este testemunho chocante e encorajador da esposa de um mártir da nossa era:

 

 

“Há mais de doze anos, nossa família sofreu um golpe devastador. Meu marido, Haik, foi assassinado por causa de sua obediência a Jesus Cristo. Ele era um importante pastor em Teerã, no Irã, e se recusou a concordar com as regras do governo islâmico concernentes à liberdade das igrejas iranianas. Embora fosse superintendente das igrejas protestantes iranianas, as autoridades deram-lhe ordens para que não compartilhasse o evangelho com os muçulmanos. Muitos mulçumanos iranianos tinham fome de ouvir a mensagem de Cristo, e os cristãos dedicados ao evangelho, como meu marido o foi, não podiam ignorá-los. O preço, porém, que alguns deles pagaram por desobedecerem ao regime foi, de fato, muito alto.

Depois que foi pedido ao nosso filho mais velho, Joseph, que fosse identificar o corpo martirizado do pai, clamei a Deus em sofrimento e quis saber como Ele pôde permitir que aquilo acontecesse a nossa família. Eu precisava do meu marido; nosso filhos precisavam do pai. Deus parecia responder que eu teria de deixar o ‘por que’ com Ele, porque Ele estava no controle e, um dia, usaria o meu testemunho para tocar outras pessoas. Pensando bem, foi exatamente o que aconteceu.

Quando minha história foi contada no primeiro livro de Anneke Companjen, Lagrimas e Sorrisos, e a vi impressa pela primeira vez, fiquei profundamente emocionada. Chorava enquanto lia, embora fosse meu próprio testemunho. Fiquei encorajada ao ver como Deus agiu em minha vida, ao perceber as muitas lições que o Senhor me ensinou. Quando fiquei sabendo que outras mulheres foram encorajadas a perdoar e a entregar suas mágoas a Deus depois de ler minha história, vi como Deus estava realizando sua promessa para mim. Quando compartilhei meu testemunho em vários países e vi corações sendo tocados, agradeci a Deus, porque o meu sofrimento não fora em vão.

Este, o segundo livro de Anneke, encorajará as mulheres da Igreja Perseguida. Sei que elas serão edificadas espiritualmente ao ler estas histórias porque verão que não são as únicas que estão sofrendo. Eu mesma passei essa experiência. Gostaria de dizer-lhes que, se consegui atravessar o vale, elas também conseguirão. Se Deus pôde fazê-lo por mim, poderá fazer por elas. Deus sabe exatamente quanto podemos suportar e não nos dá mais do que podemos carregar, embora, às vezes, possa parecer o contrário.

Mesmo as pessoas que não enfrentam dificuldades agora podem enfrentá-las depois. A maioria de nós passará por noites tenebrosas em algumas fases da nossa vida. As mulheres retratadas neste livro podem nos ensinar todas as valiosas lições sobre como perseverar quando a vida fica difícil.

Nos dias tenebrosos e desesperançados, posteriores ao martírio de Haik, algumas jovens da nossa igreja em Teerã foram, às vezes, a nossa casa e cantaram para nós. Naquela época, eu achava difícil cantar. Sempre que tentava, sentia um nó na garganta e rompia em lágrimas. Os cânticos das garotas realmente ministravam a mim. Embora eu achasse difícil manter a voz firme, meu coração estava afinado com o que elas cantavam.

Meus filhos e eu descobrimos que não somente é possível cantar na noite, como isso é profundamente edificante. Nossos filhos têm muito talento musical. Um deles, Gilbert, encontrou uma saída para o seu sofrimento compondo eloqüentes cânticos depois da morte do pai. Seus cânticos ministraram a todos nós.

Por fim, nossa família começou a ministrar com cânticos em várias reuniões da igreja, e isso encorajou muitos outros cristãos a ver que Deus nos deu paz em meio a nossas tristes circunstâncias. O louvor, de fato, é um instrumento poderoso para superar a dificuldade, assim como são a leitura da Palavra de Deus, a ajuda de outros cristãos, a empatia de pessoas que visitam ou telefonam e o amor dos irmãos do mundo todo expresso em cartões-postais e cartas. Muitas coisas me ajudaram a vencer; mais do que tudo, porém, foi a graça do nosso Pai celestial que atravessou conosco esse vale.

Após a morte de Haik, sempre compartilhei com os outros que eu me sentia como se estivesse estudando na universidade de Deus. Ele me ensinou a confiar plenamente nele e a entregar a minha vida de forma total. Ele me pediu que perdoasse meus inimigos, para permitir-lhe que substituísse a raiva que eu sentia dos assassinos do meu marido por amor a eles e para obedecer-lhe a fim de que eu pudesse crescer espiritualmente. Tive de escolher permanecer em sua escola; ele não me forçou. Eu poderia ter-me tornado amarga pelo que havia acontecido. Em vez disso, resolvi obedecer.

Hoje, posso testemunhar que, com a ajuda de Deus, a nossa família está bem. Ficamos no Irã durante cinco anos depois da morte de Haik. Depois, por causa dos filhos, tomei a difícil decisão de me mudar para os Estados Unidos. Ficou evidente que a escolha fora acertada. Agora, por meio dos meios modernos de comunicação, como vídeo, TV por satélite e filmes, nosso filhos estão envolvidos em alcançar, com o evangelho de Jesus Cristo, o povo iraniano no mundo todo, até mesmo no Irã. Os três mais velhos estão casados, todos os quatro seguem o Senhor, e eu sou uma orgulhosa avó de quatro netos.

Se aprendi alguma coisa com minha provação, é que Deus tem a palavra final e que Ele está no controle total. É por isso que fico tão feliz em recomendar este livro. Que você seja encorajado a ler as histórias escritas por Anneke a respeito de mulheres que enfrentaram a perseguição por sua fé. Seguir Jesus envolve tomar a própria cruz, porém Deus compensa-nos de muitas formas. Eu não escolheria outro caminho que não fosse o do Senhor”. (Takoosh Hovsepian, Califórnia, EUA, extraído do livro CANTANDO NA ESCURIDÃO, de Anneke Companjen, editado por Portas Abertas do acervo da Seção de Literatura Cristã da Biblioteca Cassiano Ricardo)

 

 

* O autor é Oficial Delegado do 2º Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica de São José dos Campos

 

 

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